Recrutamento de estrangeiros em festivais de música

Centros internacionais de serviços partilhados precisam de pessoas que falem línguas. Portugueses já não chegam para as necessidades

Com a instalação em Portugal de cada vez mais centros internacionais de serviços partilhados e call centers, as empresas de recrutamento procuram pessoas que saibam falar várias línguas, para satisfazer os pedidos dos clientes. Mas começam a faltar recursos nacionais para as necessidades existentes. E quando não há cá dentro, é preciso ir buscar lá fora.

A Adecco, multinacional de recrutamento, avança que, desde 2016 até ao momento, os estrangeiros representam 7% do número total de trabalhadores colocados pela empresa, o que corresponde a uma subida de 2% face a 2015.

“O que temos vindo a verificar nos últimos dois anos é um aumento substancial de pedidos de recrutamento para perfis linguísticos, o que na maioria das vezes representa a necessidade de contratação de colaboradores estrangeiros”, afirma Vânia Borges, responsável de Recursos Humanos e Serviço da área de Trabalho Temporário da Adecco Portugal.

Mas não é apenas o número de estrangeiros contratados para trabalhar em Portugal que está a subir. É também o país de origem que está a mudar. “Se há cinco anos as principais nacionalidades estrangeiras contratadas eram brasileira, angolana e cabo-verdiana, neste momento começa a existir uma grande procura de colaboradores de nacionalidades francesa e alemã”, sublinha Vânia Borges.

Agências de trabalho temporário recrutam em Festivais de música

Agências de trabalho temporário recrutam em Festivais de música

Para esta responsável, dominar um idioma estrangeiro representa um “bom fator de empregabilidade”. A Adecco tem cem vagas em aberto para quem fale alemão, francês, holandês e italiano.

A Randstad, multinacional de recrutamento especializada precisamente na área dos serviços partilhados, adiciona àquelas as línguas russa, polaca e espanhola. Neste momento procura quem fale espanhol, para um call center em Elvas, no âmbito de um projeto ibérico. É que a procura não se limita apenas a Lisboa. Há cada mais pedidos para centros no Porto, Braga e interior do país.

A Randstad já colocou três mil pessoas com competências linguísticas, entre portugueses, franceses, espanhóis e ingleses. A perspetiva até ao final do ano, antecipa Carla Marques, general manager de Staffing e de Outsourcing da Randstad Portugal, “é de crescimento e preocupação. A procura de perfis de competências linguísticas vai aumentar e pode ser difícil dar resposta”.

Neste contexto, é preciso usar a imaginação. Nos dias 6 a 8 de julho, a Randstad vai marcar presença no festival de música NOS Alive. “É um evento com muito público estrangeiro”, frisa Carla Marques. Mas a estratégia para recrutar estrangeiros passa também por outras vias. Contactos com as embaixadas e com as autarquias, especialmente do Norte, para “trabalhar as cidades geminadas”, em busca de portugueses no exterior que queiram regressar.

Os jovens estrangeiros estão também no radar da Michael Page. “A tendência que se nota este ano é o recrutamento de estrangeiros mais jovens, recém-licenciados ou jovens que estão a terminar o Erasmus e que conhecem o país”, refere Tiago Henriques, senior consultant da empresa. No entanto, acrescenta, “também se nota um aumento do recrutamento de estrangeiros na casa dos 40 e 50 anos que procuram outro estilo de vida”.

Mas há obstáculos, como sublinha Amândio da Fonseca, da Egor: “Temos feito repetidos esforços de recrutamento noutros países, mas deparamo-nos com várias dificuldades. A principal é a falta de capacidade das empresas portuguesas para competirem com salários praticados noutros países.”

Fonte: Recrutar estrangeiros em festivais de música